sábado, 2 de abril de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
Adorei esse texto, por isso estou compartilhando.
“O visitante acompanhou, fascinado, uma aula como ela seria num futuro em que o computador tivesse substituído o professor”
Retrocesso
O visitante acompanhou, fascinado, uma aula como ela seria num futuro em que o computador tivesse substituído o professor. O entendimento entre a máquina e as crianças era perfeito. A máquina falava com clareza e estava programada de acordo com métodos pedagógicos cientificamente testados durante anos. Quando não entendiam qualquer coisa as crianças sabiam exatamente que botões apertar para que a professora-robô repetisse a lição ou, em rápidos segundos, a reformulasse, para melhor compreensão. (As crianças do futuro já nascerão sabendo que botões apertar.)
— Fantástico! — comentou o visitante.
— Não é? — concordou o técnico, sorrindo com satisfação.
Foi quando uma das crianças, errando o botão, prendeu o dedo no teclado da professora-robô. Nada grave. O teclado tinha sido cientificamente preparado para não oferecer qualquer risco aos dedos infantis. Mesmo assim, doeu, e a criança começou a chorar. Ao captar o som do choro nos seus sensores, a professora-robô desligou-se automaticamente. Exatamente ao mesmo tempo, o outro robô acendeu-se automaticamente. Dirigiu-se para a criança que chorava e a pegou no colo com os braços de imitação, embalando-a no seu colo acolchoado e dizendo palavras de carinho e conforto numa voz parecida com a do outro robô, só que bem menos metálica. Passada a crise, a criança, consolada e restabelecida, foi colocada no chão e retomou seu lugar entre as outras. A segunda professora-robô voltou para o seu canto e se desligou enquanto a primeira voltou à vida e à aula.
— Fantástico! — repetiu o visitante.
— Não é? — concordou o técnico, ainda mais satisfeito.
— Mas me diga uma coisa... — começou a dizer o visitante.
— Sim?
— Se entendi bem, o segundo robô só existe para fazer a parte mais, digamos, maternal do trabalho pedagógico, enquanto o primeiro faz a parte técnica.
— Exatamente.
— Não seria mais prático — sugeriu o visitante — reunir as duas funções num mesmo robô?
Imediatamente o visitante viu que tinha dito uma bobagem. O técnico sorriu com condescendência.
— Isso — explicou — seria um retrocesso.
— Por quê?
— Estaríamos de volta ao ser humano.
E o técnico sacudiu a cabeça, desanimado. Decididamente, o visitante não entendia de futuro.
Luís Fernando Veríssimo. In Nova Escola. São Paulo. Abril, out. 1990. p. 19.
sábado, 19 de março de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Celebrar a juventude sem Escola.
O jogo de interesses que envolve a educação brasileira, engloba vários setores dos governos federal, estadual e municipal. Não existe hoje suficiente intergração entre essas esferas políticas para possibilitar a liberação de recursos, tão necessários para o bom funcionamento das engrenagens escolares. Essa locomotiva chamada educação, depende de profissionais qualificados e bem remunerados, chamado professores. Depende de uma estrutura sólida e organizada para atrair os passageiros jovens que vagão solitários. O governo não deve poupara em investir nessa locomotiva que leva ao futuro.
Gabriel Queiroz Moraes Resende (Meu filho)
Gabriel Queiroz Moraes Resende (Meu filho)
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Parabéns!!!
A produção textual do aluno Kaique de Paula Mendonça, da 8ª Série E, foi publicada no Jornal do Commércio. Parabéns Kaíque !!!
A Carta do Leitor foi a seguinte:
O crack tem sido a droga desse século, ela é forte e vicia rárido. Jovens têm perdido as suas vidas usufruindo dessa droga tenebrosa. O número de viciados só aumentado, as autoridades têm fechado os olhos para tudo isso. Precisamos dar um basta, antes que a Pátria Amada, vire a Pátria das drogas.
A Carta do Leitor foi a seguinte:
O crack tem sido a droga desse século, ela é forte e vicia rárido. Jovens têm perdido as suas vidas usufruindo dessa droga tenebrosa. O número de viciados só aumentado, as autoridades têm fechado os olhos para tudo isso. Precisamos dar um basta, antes que a Pátria Amada, vire a Pátria das drogas.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Cartas do Leitor - 8ª Séries C/E
Crack - Pátria das Drogas
O crack tem sido a droga desse século, ela é forte e vicia rárido. Jovens têm perdido as suas vidas usufruindo dessa droga tenebrosa. O número de viciados só aumentado, as autoridades têm fechado os olhos para tudo isso. Precisamos dar um basta, antes que a Pátria Amada, vire a Pátria das drogas. Kaique de Paula Mendonça/ 8ªérie E
Internet
A internet é uma das tecnologias mais usadas. Tem muitas coisas boas nela, como: fazer trabalhos, conversar com os amigos, jogar. Mas também tem seu lado ruim, muita gente a usa pra fazer o mal. Exemplo: os pedófilos. Temos que ter muito cuidado para não conversar com pessoas desconhecidas, muitas vezes elas podem querer nos enganar. Por isso que temos que ficar muito atentos. Liliana Rita dos Santos/8ª C
As Drogas
Cada vez mais a droga está invadindo casas, famílias, comunidades em geral. Não importa classe social, a droga está por toda parte. Os jovens estão nesse mundo onde o vício é capaz de levá-los a um único fim: a morte.Pais, irmãos, enfim, todos sofrem e a maioria sofre ainda mais em não poder ajudá-los.
E fica em nossas mentes a pergunta: Aonde nós vamos parar?
Brenda Katarina/8ª Série E
Internet
A internet noa dias atuais tem sido uma das maiores fontes de comunicação mundial. Através dela sabemos das notícias ocorridas em todo o mundo, podemos fazer compras, temos a oportunidade de demonstrar o que sabemos, através de um vídeo, nos comunicar com pessoas que estão distantes e muito mais. Mas como nara é totalmente bom, na internet também existem pessoas que estão prontas a fazer o mal;roubam senhas de bancos, divulgam pedofilia, violência,etc. Temos de estar atentos e nunca conversar com desconhecidos. Letícia Bezerra/8ª C
O crack tem sido a droga desse século, ela é forte e vicia rárido. Jovens têm perdido as suas vidas usufruindo dessa droga tenebrosa. O número de viciados só aumentado, as autoridades têm fechado os olhos para tudo isso. Precisamos dar um basta, antes que a Pátria Amada, vire a Pátria das drogas. Kaique de Paula Mendonça/ 8ªérie E
Internet
A internet é uma das tecnologias mais usadas. Tem muitas coisas boas nela, como: fazer trabalhos, conversar com os amigos, jogar. Mas também tem seu lado ruim, muita gente a usa pra fazer o mal. Exemplo: os pedófilos. Temos que ter muito cuidado para não conversar com pessoas desconhecidas, muitas vezes elas podem querer nos enganar. Por isso que temos que ficar muito atentos. Liliana Rita dos Santos/8ª C
As Drogas
Cada vez mais a droga está invadindo casas, famílias, comunidades em geral. Não importa classe social, a droga está por toda parte. Os jovens estão nesse mundo onde o vício é capaz de levá-los a um único fim: a morte.Pais, irmãos, enfim, todos sofrem e a maioria sofre ainda mais em não poder ajudá-los.
E fica em nossas mentes a pergunta: Aonde nós vamos parar?
Brenda Katarina/8ª Série E
Internet
A internet noa dias atuais tem sido uma das maiores fontes de comunicação mundial. Através dela sabemos das notícias ocorridas em todo o mundo, podemos fazer compras, temos a oportunidade de demonstrar o que sabemos, através de um vídeo, nos comunicar com pessoas que estão distantes e muito mais. Mas como nara é totalmente bom, na internet também existem pessoas que estão prontas a fazer o mal;roubam senhas de bancos, divulgam pedofilia, violência,etc. Temos de estar atentos e nunca conversar com desconhecidos. Letícia Bezerra/8ª C
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Ter e Ser
Eu queria ter tipo, um campo pra jogar com todos os amigos.
Eu queria ter tipo, uma vida menos corrida.
Eu queria ter uma vida menos confusa.
Eu queria poder parar de procurar o amor.
Eu queria poder morar dentro daquela música de John Lennon.
Eu queria poder dizer que sou feliz.
Eu queria poder dar aula numa escolinha no interior, pra um monte de criança inocente.
Eu queria que pessoas como o Renato e o Cazuza tivessem tido o que tanto cantavam, o amor.
Eu queria ter tipo, uma máquina do tempo pra popar tanto sofrimento.
Eu queria saber cantar.
Eu queria saber o que será dos povos de amanhã.
Eu queria ver meu pai chegando e chorava quando fingia que estava dormindo novamente.
Eu queria saber falr e escrever mais coisas agradáveis.
Eu queria que todos comemorassem o natal de verdade.
Eu queria tipo, lutar contra o mal.
Eu queria saber o que é o mal.
Eu queria poder entender como os engravatados podem comer numa mesa onde o almoço é mais caro que o salário da maioria dos brasileiros e mesmo assim dormem e conversam tranquilos.
Eu queria poder só pintar e desenhar.
Mas eu acho que sou só alguém no mundo legal.
Eu acho que ainda queria ser aquela menina que andava de abnca em banca procurando aventuras em quadrinhos.
Eu acho que ainda queria ter a esperança boba de achar que poderia fazer a diferença nessa bagunça de mundo.
Eu acho que vou dormir.
Eu também acho que amanhã bem cedo vou procurar realizar pelo menos algo disso tudo, e você o que acha?
Eu queria ter tipo, uma vida menos corrida.
Eu queria ter uma vida menos confusa.
Eu queria poder parar de procurar o amor.
Eu queria poder morar dentro daquela música de John Lennon.
Eu queria poder dizer que sou feliz.
Eu queria poder dar aula numa escolinha no interior, pra um monte de criança inocente.
Eu queria que pessoas como o Renato e o Cazuza tivessem tido o que tanto cantavam, o amor.
Eu queria ter tipo, uma máquina do tempo pra popar tanto sofrimento.
Eu queria saber cantar.
Eu queria saber o que será dos povos de amanhã.
Eu queria ver meu pai chegando e chorava quando fingia que estava dormindo novamente.
Eu queria saber falr e escrever mais coisas agradáveis.
Eu queria que todos comemorassem o natal de verdade.
Eu queria tipo, lutar contra o mal.
Eu queria saber o que é o mal.
Eu queria poder entender como os engravatados podem comer numa mesa onde o almoço é mais caro que o salário da maioria dos brasileiros e mesmo assim dormem e conversam tranquilos.
Eu queria poder só pintar e desenhar.
Mas eu acho que sou só alguém no mundo legal.
Eu acho que ainda queria ser aquela menina que andava de abnca em banca procurando aventuras em quadrinhos.
Eu acho que ainda queria ter a esperança boba de achar que poderia fazer a diferença nessa bagunça de mundo.
Eu acho que vou dormir.
Eu também acho que amanhã bem cedo vou procurar realizar pelo menos algo disso tudo, e você o que acha?
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
10 Dicas para uma boa redação
1) Na dissertação, não escreva períodos muito longos nem muitos curtos.
2) Na dissertação, não use expressões como “eu acho”, “eu penso” ou “quem sabe”, que mostram dúvidas em seus argumentos.
3) Uma redação “brilhante” mas que fuja totalmente ao tema proposto será anulada.
4) É importante que, em uma dissertação, sejam apresentados e discutidos fatos, dados e pontos de vista acerca da questão proposta.
5) A postura mais adequada para se dissertar é escrever impessoalmente, ou seja, deve-se evitar a utilização da primeira pessoa do singular.
6) Na narração, uma boa caracterização de personagens não pode levar em consideração apenas aspectos físicos. Elas têm de ser pensadas como representações de pessoas, e por isso sua caracterização é bem mais complexa, devendo levar em conta também aspectos psicológicos de tipos humanos.
7) O texto dissertativo é dirigido a um interlocutor genérico, universal; a carta argumentativa pressupõe um interlocutor específico para quem a argumentação deverá estar orientada.
8 ) O que se solicita dos alunos é muito mais uma reflexão sobre um determinado tema, apresentada sob forma escrita, do que uma simples redação vista como um episódio circunstancial de escrita.
9) A letra de forma deve ser evitada, pois dificulta a distinção entre maiúsculas e minúsculas. Uma boa grafia e limpeza são fundamentais.
10) Na narração, há a necessidade de caracterizar e desenvolver os seguintes elementos: narrador, personagem, enredo, cenário e tempo.
2) Na dissertação, não use expressões como “eu acho”, “eu penso” ou “quem sabe”, que mostram dúvidas em seus argumentos.
3) Uma redação “brilhante” mas que fuja totalmente ao tema proposto será anulada.
4) É importante que, em uma dissertação, sejam apresentados e discutidos fatos, dados e pontos de vista acerca da questão proposta.
5) A postura mais adequada para se dissertar é escrever impessoalmente, ou seja, deve-se evitar a utilização da primeira pessoa do singular.
6) Na narração, uma boa caracterização de personagens não pode levar em consideração apenas aspectos físicos. Elas têm de ser pensadas como representações de pessoas, e por isso sua caracterização é bem mais complexa, devendo levar em conta também aspectos psicológicos de tipos humanos.
7) O texto dissertativo é dirigido a um interlocutor genérico, universal; a carta argumentativa pressupõe um interlocutor específico para quem a argumentação deverá estar orientada.
8 ) O que se solicita dos alunos é muito mais uma reflexão sobre um determinado tema, apresentada sob forma escrita, do que uma simples redação vista como um episódio circunstancial de escrita.
9) A letra de forma deve ser evitada, pois dificulta a distinção entre maiúsculas e minúsculas. Uma boa grafia e limpeza são fundamentais.
10) Na narração, há a necessidade de caracterizar e desenvolver os seguintes elementos: narrador, personagem, enredo, cenário e tempo.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Soneto de fidelidade
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Vida em Manchetes
Viu só? Caiu outro avião.
- É. Desta vez foram 85 mortos.
- Já tomei uma decisão: nunca mais entro em avião.
- bobagem.
- Bobagem é morrer.
- Então não entra mais em carro, também. Proporcionalmente, morrem mais pessoas em acidentes de ...
- Mas não entrar em automóvel eu já tinha decidido há muito tempo! Você não notou que eu ando mais magro? É de tanto caminhar.
- Você caminha por onde?
- Como, por onde? Pela calçada, ué.
- Dá todo dia no jornal. “Ônibus desgovernado sobe na calçada e colhe pedestre. Vítima tinha jurado nunca mais entrar em qualquer veículo.” A chamada ironia do destino.
- Quer dizer que calçada...
- É perigosíssimo...
- O negócio é não sair de casa.
- E, é claro, mandar cortar a luz.
- Por que cortar a luz?
- Pensa num dedo molhado e distraído na tomada do banheiro. “Caiu da escada quando trocava lâmpada. Fratura na base do crânio.”
- Está certo. Corto a luz.
- “Tropeça no escuro e bate com a têmpora na quina da mesa. Morte instantânea.” E você vai cozinhar com quê?
- Gás.
- Escapamento. “Vizinhos sentiram cheiro de gás e forçaram a porta: era tarde”. Ou: “Explosão de botijão arrasa apartamento.”
- Fogareiro a querosene.
- “Tocha humana! Morreu antes que...”
- Comida entalada fria.
- Botulismo.
- Mando comprar comida fora.
- Espinha de peixe na garganta. Ossinho de galinha na traquéia. “Comida estragada, diarréia fatal!”
- Não preciso de comida. Vivo de injeções de vitamina...
- Hepatite...
- ... e oxigênio.
- Poluição. “Autópsia revela: pulmão tava pior que saco de café.” Estrôncio 90 francês.
- Vou viver no campo, longe da poluição, do trânsito...
- Picada de cobra. Coice de mula. Médico não chega a tempo.
- Não saio mais da cama!
- Está provado: 82 por cento das pessoas que morrem, morrem na cama!
- Mas eu escapo. A mim eles não pegam. Tenho um jeito infalível de escapar da morte.
- Qual é?
- Eu vou me suicidar.
Luis Fernando Veríssimo
- É. Desta vez foram 85 mortos.
- Já tomei uma decisão: nunca mais entro em avião.
- bobagem.
- Bobagem é morrer.
- Então não entra mais em carro, também. Proporcionalmente, morrem mais pessoas em acidentes de ...
- Mas não entrar em automóvel eu já tinha decidido há muito tempo! Você não notou que eu ando mais magro? É de tanto caminhar.
- Você caminha por onde?
- Como, por onde? Pela calçada, ué.
- Dá todo dia no jornal. “Ônibus desgovernado sobe na calçada e colhe pedestre. Vítima tinha jurado nunca mais entrar em qualquer veículo.” A chamada ironia do destino.
- Quer dizer que calçada...
- É perigosíssimo...
- O negócio é não sair de casa.
- E, é claro, mandar cortar a luz.
- Por que cortar a luz?
- Pensa num dedo molhado e distraído na tomada do banheiro. “Caiu da escada quando trocava lâmpada. Fratura na base do crânio.”
- Está certo. Corto a luz.
- “Tropeça no escuro e bate com a têmpora na quina da mesa. Morte instantânea.” E você vai cozinhar com quê?
- Gás.
- Escapamento. “Vizinhos sentiram cheiro de gás e forçaram a porta: era tarde”. Ou: “Explosão de botijão arrasa apartamento.”
- Fogareiro a querosene.
- “Tocha humana! Morreu antes que...”
- Comida entalada fria.
- Botulismo.
- Mando comprar comida fora.
- Espinha de peixe na garganta. Ossinho de galinha na traquéia. “Comida estragada, diarréia fatal!”
- Não preciso de comida. Vivo de injeções de vitamina...
- Hepatite...
- ... e oxigênio.
- Poluição. “Autópsia revela: pulmão tava pior que saco de café.” Estrôncio 90 francês.
- Vou viver no campo, longe da poluição, do trânsito...
- Picada de cobra. Coice de mula. Médico não chega a tempo.
- Não saio mais da cama!
- Está provado: 82 por cento das pessoas que morrem, morrem na cama!
- Mas eu escapo. A mim eles não pegam. Tenho um jeito infalível de escapar da morte.
- Qual é?
- Eu vou me suicidar.
Luis Fernando Veríssimo
terça-feira, 7 de setembro de 2010
A dança das gerações
De repente, pais jovens, que sempre se consideravam modernos e liberais, já não conseguem compreender a filha. As idéias, os valores, a linguagem, as roupas, o cabelo... tudo parece estar tão distante...Conflito de gerações?
Pais
Por casualidade, os três ficaram lado a lado na igreja. Tinha mais ou menos a mesma idade do pai da noiva. Que acabara de passar Por eles, radiante com a filha pelo braço, a caminho do altar.
- É – disse um deles -, esse deu sorte.
Os outros dois concordaram, com ruídos indefinidos.
- A minha se juntou.
- A minha já declarou, textualmente, que casamento não ta com nada.
- Pior é a minha.
- Ah, é?
- Casou num ritual novo aí. Nem sei que religião é. No meio do campo. Eu me recusei a ir. A mulher foi e voltou com urticária.
- A minha avisou que tinha se juntado quando já estavam juntos. Achou que eu gostaria de saber. Não gostei.
- Eu estou tentando convencer a minha filha a casar. Não importa com quem. Desde que tenha cerimônia. Já disse até que eu forneço o noivo. Pago o vestido, pago a igreja, pago o coro, pago a festa e a lua-de-mel e ainda entro com o noivo. Sabe o que ela me diz?
- Sei.
- “Burguesão”.
- É. A minha disse que talvez até se case um dia, quando os filhos tiverem idade para carregar cauda do vestido. Quer dizer, ainda nos gozam.
- Querem nos matar. Querem nos matar.
- E eu que sonhava com essa cena?
- Nem me fala.
- Sou capaz até de alugar uma igreja, contratar a música, botar uma fatiota e desfilar sozinho pelo corredor. Só para ter a sensação.
- Acho que a gente deveria fazer um trato. O primeiro da nossa geração que tivesse uma filha disposta a casar na igreja, com vestido e tudo, convidaria os outros para entrar junto com ela na igreja. Cada um desfilaria uma determinada distância de braço com a noiva, depois passaria para outro, e assim até o altar.
Luis Fernando Veríssimo
Vocabulário: burguês: modernamente, indivíduo rico ou da classe média, pessoa presa a bens materiais, conservador, reacionário; fatiota: o mesmo que fato, roupa, traje.
Pais
Por casualidade, os três ficaram lado a lado na igreja. Tinha mais ou menos a mesma idade do pai da noiva. Que acabara de passar Por eles, radiante com a filha pelo braço, a caminho do altar.
- É – disse um deles -, esse deu sorte.
Os outros dois concordaram, com ruídos indefinidos.
- A minha se juntou.
- A minha já declarou, textualmente, que casamento não ta com nada.
- Pior é a minha.
- Ah, é?
- Casou num ritual novo aí. Nem sei que religião é. No meio do campo. Eu me recusei a ir. A mulher foi e voltou com urticária.
- A minha avisou que tinha se juntado quando já estavam juntos. Achou que eu gostaria de saber. Não gostei.
- Eu estou tentando convencer a minha filha a casar. Não importa com quem. Desde que tenha cerimônia. Já disse até que eu forneço o noivo. Pago o vestido, pago a igreja, pago o coro, pago a festa e a lua-de-mel e ainda entro com o noivo. Sabe o que ela me diz?
- Sei.
- “Burguesão”.
- É. A minha disse que talvez até se case um dia, quando os filhos tiverem idade para carregar cauda do vestido. Quer dizer, ainda nos gozam.
- Querem nos matar. Querem nos matar.
- E eu que sonhava com essa cena?
- Nem me fala.
- Sou capaz até de alugar uma igreja, contratar a música, botar uma fatiota e desfilar sozinho pelo corredor. Só para ter a sensação.
- Acho que a gente deveria fazer um trato. O primeiro da nossa geração que tivesse uma filha disposta a casar na igreja, com vestido e tudo, convidaria os outros para entrar junto com ela na igreja. Cada um desfilaria uma determinada distância de braço com a noiva, depois passaria para outro, e assim até o altar.
Luis Fernando Veríssimo
Vocabulário: burguês: modernamente, indivíduo rico ou da classe média, pessoa presa a bens materiais, conservador, reacionário; fatiota: o mesmo que fato, roupa, traje.
domingo, 29 de agosto de 2010
Mensagem: As Estrelas e os Cometas
Existem pessoas Estrelas e pessoas Cometas.
Os Cometas passam. Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam.
As Estrelas permanecem. Assim como o Sol. Passam anos, milhões de anos, e as Estrelas permanecem.
Há muita gente Cometa. Gente que passa pela nossa vida apenas por instantes.
Gente que não prende ninguém e a ninguém se prende.
Gente sem amigos, gente que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença.
Importante é ser Estrela. Estar junto. Ser luz, calor, ser vida.
Amigo é Estrela. Podem passar anos, podem surgir distâncias, mas a marca fica no coração. O coração não quer enamorar-se de Cometas, aqueles que apenas atraem olhares passageiros.
Ser cometa é ser companheiro por instantes, explorar os sentimentos humanos, ser aproveitador das pessoas e das situações.
Solidão é resultado de uma vida cometa. Ninguém fica, todos passam.
Há necessidade de se criar um mundo de Estrelas.
Para podermos contar com elas, senti-las como luz e calor.
Assim são os amigos, Estrelas na vida da gente. São aragem nos momentos de tensão e luz nos momentos de desânimo.
Ser Estrela nesse mundo passageiro, nesse mundo cheio de pessoas Cometas, é um desafio.
Mas acima de tudo, uma recompensa. Recompensa de ter sido luz para muitos amigos, calor para muitos corações e acima de tudo, saber que nascemos e vivemos, e não somente existimos.
Autor desconhecido
Os Cometas passam. Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam.
As Estrelas permanecem. Assim como o Sol. Passam anos, milhões de anos, e as Estrelas permanecem.
Há muita gente Cometa. Gente que passa pela nossa vida apenas por instantes.
Gente que não prende ninguém e a ninguém se prende.
Gente sem amigos, gente que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença.
Importante é ser Estrela. Estar junto. Ser luz, calor, ser vida.
Amigo é Estrela. Podem passar anos, podem surgir distâncias, mas a marca fica no coração. O coração não quer enamorar-se de Cometas, aqueles que apenas atraem olhares passageiros.
Ser cometa é ser companheiro por instantes, explorar os sentimentos humanos, ser aproveitador das pessoas e das situações.
Solidão é resultado de uma vida cometa. Ninguém fica, todos passam.
Há necessidade de se criar um mundo de Estrelas.
Para podermos contar com elas, senti-las como luz e calor.
Assim são os amigos, Estrelas na vida da gente. São aragem nos momentos de tensão e luz nos momentos de desânimo.
Ser Estrela nesse mundo passageiro, nesse mundo cheio de pessoas Cometas, é um desafio.
Mas acima de tudo, uma recompensa. Recompensa de ter sido luz para muitos amigos, calor para muitos corações e acima de tudo, saber que nascemos e vivemos, e não somente existimos.
Autor desconhecido
O Homem Trocado
O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito – diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome?Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e ...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta de telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive de pagar mais de 3 mil reais.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, ouça alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- E se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? – perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar o sexo?
Luís Fernando Veríssimo
- Tudo perfeito – diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome?Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e ...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta de telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive de pagar mais de 3 mil reais.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, ouça alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- E se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? – perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar o sexo?
Luís Fernando Veríssimo
domingo, 1 de agosto de 2010
Cecília Meireles
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
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