quinta-feira, 12 de julho de 2012
E aí pessoal! Estamos voltando de nossas férias curtas, porém muito importante para recarregar as baterias! Sejam todos bem-vindos e bem-vindas. Temos muitas atividades legais para realizarmos neste semestre: a IV Gincana Adélia Leal, o dia do Estudante, a Olimpíada de Língua Portuguesa e outras que depois iremos descobrir.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Recesso Escolar!
Depois de um semestre de aprendizagem e descobertas, agora é hora de descansar e repor as energias! Não esqueçam que dia 12 de Julho estaremos de volta! Tenham um bom descanso!!!
Até breve.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Festa de São João - Luiz Gonzaga - O rei do baião!
Um Rei do Nordeste
A Escola Adélia Leal Ferreira realizará amanhã o encerramento do projeto de Luiz Gonzaga, vamos todos comemorar e apreciar as atividades dos nossos alunos e alunas.
Visitem o blog e acompanhem as novidades: www.umreidonordeste.blogspot.com
Trabalhando o Gênero Entrevista
Apresentações dos grupos sobre o Gênero Entrevista.
A turma da 8ª série A, entrevistou a professora Valdeilza, equipe do SAMU, entre outros, aplicando a estrutura do gênero estudado neste bimestre: a Entrevista.
Parabéns a todos e todas que realizaram as atividades!
quarta-feira, 13 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
quarta-feira, 23 de maio de 2012
O Assalto - Luís Fernando Veríssimo
Alô? Quem tá
falando?
— Aqui é o
ladrão.
— Desculpe, a
telefonista deve ter se enganado, eu não queria falar com o dono do banco. Tem
algum funcionário aí?
— Não, os
funcionário tá tudo refém.
— Há, eu entendo.
Afinal, eles trabalham quatorze horas por dia, ganham um salário ridículo,
vivem levando esporro, mas não pedem demissão porque não encontram outro
emprego, né? Vida difícil... mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com
um deles?
— Impossível.
Eles tá tudo amordaçado.
— Foi o que
pensei. Gestão moderna, né? Se fizerem qualquer crítica, vão pro olho da rua.
Não haverá, então, algum chefe por aí?
— Claro que não
mermão. Quanta inguinorânça! O chefe tá na cadeia, que é o lugar mais seguro
pra se comandar assalto!
— Bom... Sabe o
que que é? Eu tenho uma conta...
— Tamo levando
tudo, ô bacana. O saldo da tua conta é zero!
— Não, isso eu já
sabia. Eu sou professor! O que eu queria mesmo era uma informação sobre juro.
— Companheiro, eu
sou um ladrão pé-de-chinelo. Meu negócio é pequeno. Assalto a banco, vez ou
outra um sequestro. Pra saber de juro é melhor tu ligá pra Brasília.
— Sei, sei. O
senhor ta na informalidade, né? Também, com o preço que tão cobrando por um
voto hoje em dia... mas, será que não podia fazer um favor pra mim? É que eu
atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa.
— Tu tá pensando
que eu tô brincando? Isso é um assalto!
— Longe de mim
pensar que o senhor está de brincadeira! Que é um assalto eu sei perfeitamente;
ninguém no mundo cobra os juros que cobram no Brasil. Mas queria saber o número
preciso: seis por cento, sete por cento?
— Eu acho que tu
não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante. Trabalho na base da intimidação e da
chantagem, saca?
— Ah, já tava
esperando. Você vai querer vender um seguro de vida ou um título de
capitalização, né?
— Não...já
falei...eu sou... Peraí bacana... hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu
galho.
(um minuto
depois)
— Alô? O sujeito
aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês.
— Puxa, que
incrível!
— Incrive por
que? Tu achava que era menos?
— Não, achava que
era mais ou menos isso mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na
vida, eu consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço
pelo telefone em menos de meia hora e sem ouvir 'Pour Elise'.
— Quer saber? Fui
com a tua cara. Acabei de dar umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te
dar um desconto. Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado?
— Não acredito! E
eu não vou ter que comprar nenhum produto do banco?
— Nadica de nada,
já ta tudo acertado!
— Muito obrigado,
meu senhor. Nunca fui tratado dessa...
(De repente,
ouvem-se tiros, gritos)
— Ih, sujou!
Puliça!
— Polícia? Que
polícia? Alô? Alô?
(sinal de
ocupado)
— Droga! Maldito
Estado: quando o negócio começa a funcionar, entra o Governo e estraga tudo!
segunda-feira, 21 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
Festa das Mães - Escola Adélia Leal Ferreira
Feliz Dia das Mães!
O grupo Cochichando Poesias participou da festa das mães sussurando poemas.Foi uma noite muito bonita com a escola repleta de mães, como vocês podem conferir em nossa galeria de fotos!
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Vida de Acompanhante - Carlos Eduardo Novaes
Ana
teve que fazer uma pequena intervenção cirúrgica e me convidou para ser
seu acompanhante na casa de saúde. Bem, normalmente evito passar até na
porta de um hospital (atravesso sempre para o outro lado da rua,
receoso de apagar diante de um bafo mais forte de éter). Aquela
situação, porém, não me permitia simplesmente bater em retirada. Mesmo
assim, o medo falou mais alto e bem que tentei cair fora:
- Escuta, Ana, quero lhe dizer que me sinto profundamente honrado com o convite que você me faz para ser seu partner no hospital mas... Será que vai pegar bem? Será que o pessoal do hospital não vai reparar de você ter o próprio marido como acompanhante? Você sabe como é esse pessoal de hospital, fala demais. Vão dizer que você é uma mulher absorvente, ciumenta, que não larga o marido nem para ser operada.
- Se você não quiser ir - disse ela muito segura - eu chamo outra pessoa.
- Não, Ana. Que é isso? Eu vou, claro. Tamos aí, firme e forte. O problema é que não tenho muita experiência. Talvez pudéssemos chamar outra pessoa para ir com a gente. Na minha vida, só entrei como acompanhante em baile de formatura. O convite do hospital dá direito a levar quantos acompanhantes?
- Um. Um só. E vai ser você. Ou será que você está com medo?
- Quem, eu? - dei aquela do machão. - Você não me conhece... Sou uma fera braba dentro de um hospital.
- Tenho a impressão de que você está com medo.
Não adianta fingir, pensei. Resolvi me entregar:
- Morrendo, Ana. Tô morrendo de medo. Não sei se vou agüentar. Tenho pavor de entrar em hospital, aquele clima, aquele cheiro... Veja, já estou suando só de pensar.
- fique tranqüilo - disse ela me afagando - não precisa se preocupar. Não vou deixá-lo sozinho.
- Você jura? Mas e quando você estiver na sala de cirurgia, quem vai tomar conta de mim?
- Fique calmo, bobinho. Deixo minha irmã tomando conta de você. Eu volto logo. Qualquer coisa, estarei ao seu lado.
A conversa foi muito reconfortante. Ana procurou me dar força e, depois de ouvi-la durante três horas, senti que já estava psicologicamente preparado para enfrentar a situação de acompanhante.
- Não precisa ficar nervosa - disse ao vê-la tensa - vai correr tudo bem: não vou dar nenhum trabalho. - Restava saber o que faz um acompanhante. Liguei para uma amiga que, no ano passado, acompanhou quatro parentes (foi até eleita a Acompanhante do Ano) e perguntei se havia necessidade de levar uma maletinha de primeiros socorros com gaze, esparadrapo, mercuriocromo.
- Só se a operação fosse no meio da selva - disse ela.
Fique descansado, acompanhante é uma boa. Só tem que chamar a enfermeira, apanhar um copo de água de vez em quando... Acompanhante trabalha menos do que vice-presidente da República.
Pouco antes de partirmos para a casa de saúde fomos arrumar a mala. Tudo era novo pra mim. Não tinha a menor idéia de como deve se vestir um acompanhante. Ana empilhava suas camisolas, enquanto eu permanecia parado olhando - com um olhar bovino- para o armário.
- Que tal levar um calção de banho? - perguntei.
- Prum hospital?
- Nunca se sabe, pode pintar um piquenique com as enfermeiras. Acho que vou levar também minha roupa de tênis.
Ana espantou-se.
- É a única roupa branca que tenho. Nos hospitais não andam todos de branco?
- E pra que a raquete?
- Que pergunta, Ana! Pra não ser confundido com um médico, claro.
No fundo, talvez quisesse me convencer de que iríamos apenas passar um meio de semana fora. Saímos. Ana, como é natural, mostrava-se apreensiva com a operação e quando paramos na recepção do hospital a enfermeira não teve a menor dúvida sobre quem era o paciente: eu. Lívido, trêmulo, transparente, preenchendo a ficha, ainda ouvi a enfermeira perguntar a Ana se minha operação era delicada. Foi a última coisa que ouvi. Sem muito preparo para respirar aquele cheiro de hospital, desmontei no chão. Armou-se a maior confusão. Deitado num sofá de portaria ouvia todos gritando à minha volta:
- Levem-no para o CTI - gritou um.
- Tragam uma maca. Uma maca!
- Vamos operá-lo imediatamente.
Uma ambulância - comecei a berrar, esperneando - chamem uma ambulância!
- Não precisa. O senhor já está num hospital.
- Por isso mesmo. Chamem uma ambulância pra me tirar daqui!
A um canto, braços cruzados, Ana assistia à cena. Custei um pouco a me refazer. Subimos ao apartamento no terceiro andar aonde Ana iniciaria os preparativos para a cirurgia. Entramos e estávamos por ali inspecionando o quarto - eu muito branco - quando chegou uma enfermeira e nem se deu ao trabalho de perguntar quem iria ser operado. Virou-se para mim e ordenou:
- Tire a roupa.
A ordem me apanhou de surpresa. Afinal passei horas arrumando minha mala, não custava nada alguém me informar que o acompanhante devia ficar nu. Contrariado, olhei firme para a enfermeira e como não gostei do seu jeito resolvi desafiá-la:
- Tire você primeiro.
- Mas... mas eu não vou ser operada.
- Nem eu.
- Mas, então, que é que o senhor está fazendo deitado na cama do paciente?
A enfermeira obrigou-me a levantar. Como? Com dor de cabeça, falta de ar, tonto, só consegui sair carregado por ela e por Ana. As duas me botaram sentado numa cadeira de fórmica. Às dezessete horas, Ana iniciou os preparativos preliminares para a operação (marcada para as vinte e uma e trinta). Nesse momento, entrou uma atendente trazendo uma bandeja com alguns pratos e colocou-a na minha frente:
- o senhor não vai comer? Levantei a tampa: arroz, verduras, batata frita, uma coxinha de galinha.
- Não, obrigado. Já almocei.
- Isso é o jantar.
Ah, sim, desculpe - disse conferindo o relógio. - Meu relógio parou... Estou certo que ainda são cinco horas. Que horas são para eu acertar o meu?
- Cinco horas.
- Cinco horas? Jantar às cinco? Não, obrigado - a atendente foi saindo; chamei na porta: - por favor, você pode me dizer a que horas servem o almoço? É que só acordo depois das oito. Talvez precise botar o despertador.
Ana deitou-se para repousar enquanto aguardava o momento de seguir para a sala de cirurgia. Passando mal, muito mal, tentei fazer o mesmo. Olhei ao redor e não vi outra cama. Será que o acompanhante além de jantar às cinco horas, tem que dormir em pé? Ana me apontou um sofá que virava cama.
Será que dá para você armar pra mim, Ana? Estou passando tão mal. Não me agüento em pé.
O sofá, quebrado, só abria de um lado. Acompanhante, pensei, é tratado como a mosca do cavalo do bandido. Tive que me ajeitar, para caber no sofá, como uma Calói dobrável. Ficamos ali os dois deitados, em silêncio. De vez em quando, passando mal, pedia a Ana para pegar um copo de água, para fechar a cortina. Às vinte e trinta entraram no quarto o médico, seu auxiliar e o anestesistas, todos da Aeronáutica (Ana foi operada por uma junta militar. Aliás, constatei que os militares são muito melhores na medicina do que no poder). Queriam ver como estava a paciente:
- Primeiro aqui, senhores - gritei estirado na cama. - Aqui, por favor. Eu pedi primeiro. Estou sentindo uma fisgada aqui, com vontade de vomitar, o corpo todo me dói... Estou ficando doente aqui nesse hospital.
Os médicos me disseram que estava tudo bem. Não acreditei, é claro. Senti que queriam se descartar logo do acompanhante para examinar a paciente. Continuei ali, gemendo, sofrendo horrores, até o momento em que as enfermeiras entraram com a cama de rodinhas para levar Ana. Foi um momento dos mais dramáticos. Agarrei-me como pude na cama. As enfermeiras me empurraram e saíram com Ana. Fui me arrastando pelo corredor, aos gritos:
Socorro! Por favor, não me deixem sozinho neste quarto. Socorro!
Nem vi quando Ana voltou da sala de cirurgia. Estava completamente dopado. Passamos os dois uma noite difícil. Várias vezes fui obrigado a chamar a enfermeira para me acudir. Elas entravam no quarto e quando viam que era para atender o acompanhante, soltavam um muxoxo e se retiravam contrariadas. Um completo desprezo. Dia seguinte, não sei o que seria de mim sem a Ana para me levar ao banheiro, para me dar remédio, para apanhar um copo de água. Felizmente, correu tudo bem.
Ontem, Ana voltou para casa. Eu continuo no hospital. Devo ficar ainda por mais dois dias convalescendo da operação dela.
- Escuta, Ana, quero lhe dizer que me sinto profundamente honrado com o convite que você me faz para ser seu partner no hospital mas... Será que vai pegar bem? Será que o pessoal do hospital não vai reparar de você ter o próprio marido como acompanhante? Você sabe como é esse pessoal de hospital, fala demais. Vão dizer que você é uma mulher absorvente, ciumenta, que não larga o marido nem para ser operada.
- Se você não quiser ir - disse ela muito segura - eu chamo outra pessoa.
- Não, Ana. Que é isso? Eu vou, claro. Tamos aí, firme e forte. O problema é que não tenho muita experiência. Talvez pudéssemos chamar outra pessoa para ir com a gente. Na minha vida, só entrei como acompanhante em baile de formatura. O convite do hospital dá direito a levar quantos acompanhantes?
- Um. Um só. E vai ser você. Ou será que você está com medo?
- Quem, eu? - dei aquela do machão. - Você não me conhece... Sou uma fera braba dentro de um hospital.
- Tenho a impressão de que você está com medo.
Não adianta fingir, pensei. Resolvi me entregar:
- Morrendo, Ana. Tô morrendo de medo. Não sei se vou agüentar. Tenho pavor de entrar em hospital, aquele clima, aquele cheiro... Veja, já estou suando só de pensar.
- fique tranqüilo - disse ela me afagando - não precisa se preocupar. Não vou deixá-lo sozinho.
- Você jura? Mas e quando você estiver na sala de cirurgia, quem vai tomar conta de mim?
- Fique calmo, bobinho. Deixo minha irmã tomando conta de você. Eu volto logo. Qualquer coisa, estarei ao seu lado.
A conversa foi muito reconfortante. Ana procurou me dar força e, depois de ouvi-la durante três horas, senti que já estava psicologicamente preparado para enfrentar a situação de acompanhante.
- Não precisa ficar nervosa - disse ao vê-la tensa - vai correr tudo bem: não vou dar nenhum trabalho. - Restava saber o que faz um acompanhante. Liguei para uma amiga que, no ano passado, acompanhou quatro parentes (foi até eleita a Acompanhante do Ano) e perguntei se havia necessidade de levar uma maletinha de primeiros socorros com gaze, esparadrapo, mercuriocromo.
- Só se a operação fosse no meio da selva - disse ela.
Fique descansado, acompanhante é uma boa. Só tem que chamar a enfermeira, apanhar um copo de água de vez em quando... Acompanhante trabalha menos do que vice-presidente da República.
Pouco antes de partirmos para a casa de saúde fomos arrumar a mala. Tudo era novo pra mim. Não tinha a menor idéia de como deve se vestir um acompanhante. Ana empilhava suas camisolas, enquanto eu permanecia parado olhando - com um olhar bovino- para o armário.
- Que tal levar um calção de banho? - perguntei.
- Prum hospital?
- Nunca se sabe, pode pintar um piquenique com as enfermeiras. Acho que vou levar também minha roupa de tênis.
Ana espantou-se.
- É a única roupa branca que tenho. Nos hospitais não andam todos de branco?
- E pra que a raquete?
- Que pergunta, Ana! Pra não ser confundido com um médico, claro.
No fundo, talvez quisesse me convencer de que iríamos apenas passar um meio de semana fora. Saímos. Ana, como é natural, mostrava-se apreensiva com a operação e quando paramos na recepção do hospital a enfermeira não teve a menor dúvida sobre quem era o paciente: eu. Lívido, trêmulo, transparente, preenchendo a ficha, ainda ouvi a enfermeira perguntar a Ana se minha operação era delicada. Foi a última coisa que ouvi. Sem muito preparo para respirar aquele cheiro de hospital, desmontei no chão. Armou-se a maior confusão. Deitado num sofá de portaria ouvia todos gritando à minha volta:
- Levem-no para o CTI - gritou um.
- Tragam uma maca. Uma maca!
- Vamos operá-lo imediatamente.
Uma ambulância - comecei a berrar, esperneando - chamem uma ambulância!
- Não precisa. O senhor já está num hospital.
- Por isso mesmo. Chamem uma ambulância pra me tirar daqui!
A um canto, braços cruzados, Ana assistia à cena. Custei um pouco a me refazer. Subimos ao apartamento no terceiro andar aonde Ana iniciaria os preparativos para a cirurgia. Entramos e estávamos por ali inspecionando o quarto - eu muito branco - quando chegou uma enfermeira e nem se deu ao trabalho de perguntar quem iria ser operado. Virou-se para mim e ordenou:
- Tire a roupa.
A ordem me apanhou de surpresa. Afinal passei horas arrumando minha mala, não custava nada alguém me informar que o acompanhante devia ficar nu. Contrariado, olhei firme para a enfermeira e como não gostei do seu jeito resolvi desafiá-la:
- Tire você primeiro.
- Mas... mas eu não vou ser operada.
- Nem eu.
- Mas, então, que é que o senhor está fazendo deitado na cama do paciente?
A enfermeira obrigou-me a levantar. Como? Com dor de cabeça, falta de ar, tonto, só consegui sair carregado por ela e por Ana. As duas me botaram sentado numa cadeira de fórmica. Às dezessete horas, Ana iniciou os preparativos preliminares para a operação (marcada para as vinte e uma e trinta). Nesse momento, entrou uma atendente trazendo uma bandeja com alguns pratos e colocou-a na minha frente:
- o senhor não vai comer? Levantei a tampa: arroz, verduras, batata frita, uma coxinha de galinha.
- Não, obrigado. Já almocei.
- Isso é o jantar.
Ah, sim, desculpe - disse conferindo o relógio. - Meu relógio parou... Estou certo que ainda são cinco horas. Que horas são para eu acertar o meu?
- Cinco horas.
- Cinco horas? Jantar às cinco? Não, obrigado - a atendente foi saindo; chamei na porta: - por favor, você pode me dizer a que horas servem o almoço? É que só acordo depois das oito. Talvez precise botar o despertador.
Ana deitou-se para repousar enquanto aguardava o momento de seguir para a sala de cirurgia. Passando mal, muito mal, tentei fazer o mesmo. Olhei ao redor e não vi outra cama. Será que o acompanhante além de jantar às cinco horas, tem que dormir em pé? Ana me apontou um sofá que virava cama.
Será que dá para você armar pra mim, Ana? Estou passando tão mal. Não me agüento em pé.
O sofá, quebrado, só abria de um lado. Acompanhante, pensei, é tratado como a mosca do cavalo do bandido. Tive que me ajeitar, para caber no sofá, como uma Calói dobrável. Ficamos ali os dois deitados, em silêncio. De vez em quando, passando mal, pedia a Ana para pegar um copo de água, para fechar a cortina. Às vinte e trinta entraram no quarto o médico, seu auxiliar e o anestesistas, todos da Aeronáutica (Ana foi operada por uma junta militar. Aliás, constatei que os militares são muito melhores na medicina do que no poder). Queriam ver como estava a paciente:
- Primeiro aqui, senhores - gritei estirado na cama. - Aqui, por favor. Eu pedi primeiro. Estou sentindo uma fisgada aqui, com vontade de vomitar, o corpo todo me dói... Estou ficando doente aqui nesse hospital.
Os médicos me disseram que estava tudo bem. Não acreditei, é claro. Senti que queriam se descartar logo do acompanhante para examinar a paciente. Continuei ali, gemendo, sofrendo horrores, até o momento em que as enfermeiras entraram com a cama de rodinhas para levar Ana. Foi um momento dos mais dramáticos. Agarrei-me como pude na cama. As enfermeiras me empurraram e saíram com Ana. Fui me arrastando pelo corredor, aos gritos:
Socorro! Por favor, não me deixem sozinho neste quarto. Socorro!
Nem vi quando Ana voltou da sala de cirurgia. Estava completamente dopado. Passamos os dois uma noite difícil. Várias vezes fui obrigado a chamar a enfermeira para me acudir. Elas entravam no quarto e quando viam que era para atender o acompanhante, soltavam um muxoxo e se retiravam contrariadas. Um completo desprezo. Dia seguinte, não sei o que seria de mim sem a Ana para me levar ao banheiro, para me dar remédio, para apanhar um copo de água. Felizmente, correu tudo bem.
Ontem, Ana voltou para casa. Eu continuo no hospital. Devo ficar ainda por mais dois dias convalescendo da operação dela.
terça-feira, 24 de abril de 2012
O Lenhador Honesto
Esse
texto foi adaptado de uma história escrita por Emile Pondsson, que teve por
inspiração um poema de Jean de La Fontaine (1621-1695)
Há muito tempo, numa floresta verdejante e
silenciosa, próximo a um riacho de águas cristalinas e espumantes corredeiras,
vivia um pobre lenhador que trabalhava muito para sustentar a família. Todos os
dias, empreendia a árdua caminhada floresta adentro, levando ao ombro seu
afiado machado. Partia sempre e assobiando contente, pois sabia que, enquanto tivesse
saúde e o machado, conseguiria ganhar o suficiente para comprar o pão de que a
família precisava.
Um dia, estava ele cortando um enorme
carvalho perto do rio. As lascas voavam longe e o barulho do machado ecoava
pela floresta com tanta força que parecia haver uma dúzia de lenhadores
trabalhando.
Passado algum tempo, resolveu descansar um
pouco. Recostou o machado na árvore e virou-se para se sentar, mas tropeçou
numa raiz velha e retorcida e esbarrou no machado; antes que pudesse pegá-la, a
ferramenta caiu ribanceira abaixo, indo parar no rio!
O pobre lenhador vasculhou as águas
tentando encontrar o machado, mas aquele trecho era fundo demais. O rio
continuava correndo com a mesma tranquilidade de sempre, ocultando o tesouro
perdido.
-
O que hei de fazer? Perdi o machado! Como vou dar de comer aos meus filhos? –
gritou o lenhador.
Mal acabara de falar, surgiu de dentro do
riacho uma bela mulher. Era a fada do rio que viera até a superfície ao ouvir o
lamento.
-
Por que você está sofrendo tanto? –perguntou em tom todo amável. O lenhador
contou o que acontecera e ela mergulhou em seguida, tornando a aparecer na
superfície segundos depois com um machado de prata.
-
É este o machado que você perdeu?
O lenhador pensou em todas as coisas
lindas que poderia comprar para os filhos com toda aquela prata! Mas o machado
não era o dele, e balançou a cabeça, dizendo: - Meu machado era de aço.
A fada das águas colocou o machado de
prata sobre a barranca do rio e tornou a mergulhar. Voltou logo e mostrou outro
machado ao lenhador:
-
Talvez este machado seja seu, não?
-
Não, não! Esse é de ouro! Vale muito mais do que o meu.
A fada das águas depositou o machado de
ouro sobre a barranca do rio. Mergulhou mais uma vez. Tornou a subir à tona.
Desta vez, trouxe o machado perdido.
-
Esse é o meu! É o meu, sim; sem dúvida!
-
É o seu –disse a fada das águas -, e agora também são seus os outros dois. É um
presente do rio, por você ter dito a verdade.
Á noitinha, o lenhador empreendeu a árdua
caminhada de volta para casa com os três machados às costas, assoviando
contente e pensando em todas as coisas boas que eles iriam trazer para sua
família.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
19 de Abril - Dia do Índio
História do Dia
do Índio
Comemoramos todos
os anos, no dia 19 de Abril, o Dia do Índio. Esta data comemorativa foi criada
em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540.
Mas porque foi escolhido o 19 de abril?
Origem da
data
Para entendermos
a data, devemos voltar para 1940. Neste ano, foi realizado no México, o
Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Além de contar com a
participação de diversas autoridades governamentais dos países da América,
vários líderes indígenas deste contimente foram convidados para participarem
das reuniões e decisões. Porém, os índios não compareceram nos primeiros dias
do evento, pois estavam preocupados e temerosos. Este comportamento era
compreensível, pois os índios há séculos estavam sendo perseguidos, agredidos e
dizimados pelos “homens brancos”.
No entanto, após
algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar,
após entenderem a importância daquele momento histórico. Esta participação
ocorreu no dia 19 de abril, que depois foi escolhido, no continente americano,
como o Dia do Índio.
Comemorações e
importância da data
Neste dia do ano
ocorrem vários eventos dedicados à valorização da cultura indígena. Nas
escolas, os alunos costumam fazer pesquisas sobre a cultura indígena, os museus
fazem exposições e os minicípios organizam festas comemorativas. Deve ser
também um dia de reflexão sobre a importância da preservação dos povos
indígenas, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais.
Devemos lembrar
também, que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui
chegaram em 1500. Desde esta data, o que vimos foi o desrespeito e a diminuição
das populações indígenas. Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração
dos recursos naturais, muitos povos indígenas estão perdendo suas terras.
terça-feira, 17 de abril de 2012
18 de Abril - Dia de Monteiro Lobato
Dia de Monteiro Lobato - 18 de Abril
José Bento Renato Monteiro
Lobato (Taubaté, 18 de abril de 1882 – São
Paulo, 4 de julho de 1948)[1] foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século
XX. Foi um importante editor de livros inéditos e autor de importantes
traduções. Seguido a seu precursor Figueiredo Pimentel ("Contos
da Carochinha") da literatura infantil brasileira, ficou popularmente
conhecido pelo conjunto educativo de sua obra de livros infantis, que
constitui aproximadamente a metade da sua produção literária. A outra metade,
consistindo de contos (geralmente sobre temas brasileiros), artigos, críticas,
crônicas, prefácios, cartas, um livro sobre a importância
do petróleo e do ferro, e um único romance, O Presidente
Negro, o qual não alcançou a mesma popularidade que suas obras para crianças,
que entre as mais famosas destaca-se Reinações de
Narizinho (1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e O Picapau
Amarelo (1939).
quinta-feira, 12 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Momento de confraternização - Páscoa
Um momento especial de confraternização da nossa Páscoa. Tempo de refletir e pensar em que podemos ser melhores.Que Deus nos abençoe sempre!
sexta-feira, 6 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Dissertações do 2° Ano A - Escola Adélia Leal Ferreira
A partir do texto publicado na Revista Veja, da autora Lya Luft, chamado Elegia do amigo morto, os alunos e alunas do 2° Ano A, fizeram um debate mediado por mim e logo após escreveram sobre suas impressões.Dentre as produções escritas escolhi algumas para compartilhar com todos vocês.
Título: Uma das consequências da desobediência
Aluna: Gabriela Oliveira Januário dos Santos
Quando recebemos a notícia que alguém que amamos infelizmente se foi, não temos pensamentos e nem atos de imediato, na hora tudo para; apenas seus nervos começam a trabalhar mais que o normal, e um grande buraco parece estar sendo cavado em seu coração. Naquele exato momento a única coisa que queremos ouvir é que houve um engano.
Mas de repente, você sente algo salgado em sua boca, são os olhos chorando, é a enorme dor que passou a existir no seu peito. E vem logo pensamentos dos melhores momentos, inesquecíveis, que nem mesmo o tempo seria capaz de apagar de tão forte que é.
Um grande aperto passa a tomar o lugar do seu coração, uma dor insuportável, muitas vezes pensamos besteira, mas depois percebemos que não valeria a pena fazer tal injustiça consigo mesmo, as pessoas começam a surgir, muitas tomadas pela a força da curiosidade, outras para dar uma palavra de conforto, mas nunca conseguimos entender, achamos inútil escutar: "É assim mesmo, temos que entender, se conforme..."
Sabemos disso, só que é muito difícil quando existe sentimentos. Com o tempo nos conformamos e entendemos que isso é da vida, chorar, sorrir, sofrer, sentir felicidade, sentir dor e passar. Lembre-se que tudo na vida passa, até ela mesma.
Título: "A morte não é o fim, mas uma transformação"
Aluna: Elielma Maria da Silva Santos
Como superar a tristeza, a dor de perder uma pessoa tão querida e amada? Sofrimento, rancor? As pessoas não querem aceitar que o ente querido se foi e não voltará.
Homenagens para quando for um dia você olhar para trás e falar: - fiz a homenagem porque ele mereceu e sempre esteve ao meu lado nas horas que mais precisei.- Se vão e não voltam, com o tempo vamos superar, pouco a pouco, iremos sempre lembrar dessa pessoa tão querida, que quando estava viva nos deu tanto carinho e amor.
Apesar de tudo pensamos que temos de ter fé e que devemos dar valor as pessoas queridas da nossa vida, pois perdemos quem amamos rapidamente e as vezes não fomos capazes de reconhecer o valor que cada uma tinha, não reconhecendo o que ela fez.
Por essas pessoas especiais devemos aproveitar a vida ao máximo nunca esquecendo de valorizar e respeitar quem a gente ama.
Título: O que não pode ser esquecido
Aluna: Maria Aparecida dos Anjos
E então chegou o fim. Se foram os bons braços que jamais nos abraçarão outra vez, lábios que não chamarão mais o nosso nome, como se fosse o mais lindo de todos os nomes, olhos que não vão mais nos olhar, como se fossemos a pessoa mais importante do mundo, a mais bela.
A princípio a morte parece ter o poder de destruir tudo, olhando de longe é o fim, mas não é. Não há como esquecer aqueles que nos foram tão raros, com momentos felizes ou tristes, com seu brilho que nos encantou. Diante de um sentimento de perda, há uma dor que desejamos gritar, que passe logo desesperadamente ou que dure e permaneça, porque as vezes parece ser tudo que nos resta.
Estranhamente, se há algum poder na morte, é o de eternizar as pessoas, pois passamos a valorizá-las como nunca. Nos agarramos a tudo que ele fez, aquele que perdemos, palavras, gestos, objetos, enfim "a saudade eterniza a presença de quem se foi".
Finalmente o segredo está em deixar que os nossos mortos moram. Para nós que ficamos nos é deixada a difícil tarefa de continuar vivendo, encarando a vida com a certeza de que a morte não é o fim, mas uma etapa da vida que pela qual todos nós passaremos um dia. A morte não significa o fim, mas o início de outra vida.
Mensagem de Páscoa
Quem é Jesus?
(Autor
Desconhecido)
Em Química , Ele
transformou a água em vinho;
Em Biologia, Ele
nasceu sem ter tido uma concepção normal;
Em Física, Ele
superou a gravidade quando Ele ascendeu ao Céu;
Em Economia, Ele
subverteu a lei dos rendimentos decrescente ao alimentar 5.000 pessoas com 2
peixes e 5 pães;
Em Medicina, Ele
curou doente e os cegos sem administrar absolutamente nenhum remédio;
Em História, Ele
é o começo e o fim;
Em Direito, Ele
disse que deveria ser chamado de Filho do Pai, Principe da Paz;
Em Religião, Ele
disse que ninguém chega ao Pai se não for através dEle.
Quem é Jesus?
O maior Homem da
História:
Não tinha servos,
ainda assim o chamavam de Senhor;
Não tinha
escolaridade, ainda assim o chamavam de Mestre;
Não tinha
remédios, ainda assim o chamavam de curador;
Não tinha
exércitos, ainda assim os Reis o temiam;
Não travou
batalhas militares, ainda assim conquistou o mundo;
Não cometou
crime, ainda assim CRUCIFICARAM-NO;
Foi enterrado em
uma tumba, ainda assim Ele vive hoje e eternamente.
"Verdadeiramente,
ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e
nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas
nosas transgressões e moído pelas nossas inimizades; o castigo que nos traz a
paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos
sarados". (Isaias 53.4,5)
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